
Silêncio de Prata
Caiu desacordada. Um tanto curiosa aquela manhã. Tudo completamente paralisado, assim como o olhar da pequena. Os tons de cinza tomavam conta dos oceanos e de branco vestia-se o céu. Logo atrás, o sol e sua única tonalidade. Aqueles rasos olhos de vidro somente observavam seu redor, ultrapassando as barreiras de suas pálpebras. As palavras haviam se transformado em soluços e já não escapavam mais. A maré alta agora estava sem volume; muda. Quando tornou a se concentrar, deu-se conta. O silêncio a dominou.
Por entre o labirinto daquele vácuo sonoro, dizia adentrar, lentamente. Sua mente cantava o que lhe jurava ser a trilha sonora de uma densa overdose de reflexões. Ela havia se transformado em mais uma daquelas pedras cravadas na areia, que recebiam as ondas a todo instante sem pronunciar uma única palavra e nem ameaçar se mover. Seu grito não existia mais, apesar de sua vontade. As lembranças caminhavam, pouco a pouco, à escuridão de seu pomar. Os desejos eram agora as incontáveis pétalas da sua coleção de flores mortas.
A magia, porém, ainda lhe restava. Soprou um último suspiro que guardava em seus pulmões. Suspiro aquele que ventaneou seu mundo de volta para si. A água do mar respingou em seu pomar, trazendo de volta a cor. A aquarela que se formou despertou a fragrância de cada flor e quebrou o vidro que prendia o brilho de seus olhos. Os movimentos estavam voltando, e aos poucos a garota podia voltar a sorrir novamente. Sentia-se estranhamente bem e, por isso, preferiu continuar de olhos cerrados por mais alguns tempos.
Um calor intenso novamente a perseguia e o vento voltava a zunir. Aos poucos, seus cílios se soltavam. Espreguiçou-se. E foi então que pôde ver tudo claro, mais uma vez. O dia ainda estava por amanhecer.
Por entre o labirinto daquele vácuo sonoro, dizia adentrar, lentamente. Sua mente cantava o que lhe jurava ser a trilha sonora de uma densa overdose de reflexões. Ela havia se transformado em mais uma daquelas pedras cravadas na areia, que recebiam as ondas a todo instante sem pronunciar uma única palavra e nem ameaçar se mover. Seu grito não existia mais, apesar de sua vontade. As lembranças caminhavam, pouco a pouco, à escuridão de seu pomar. Os desejos eram agora as incontáveis pétalas da sua coleção de flores mortas.
A magia, porém, ainda lhe restava. Soprou um último suspiro que guardava em seus pulmões. Suspiro aquele que ventaneou seu mundo de volta para si. A água do mar respingou em seu pomar, trazendo de volta a cor. A aquarela que se formou despertou a fragrância de cada flor e quebrou o vidro que prendia o brilho de seus olhos. Os movimentos estavam voltando, e aos poucos a garota podia voltar a sorrir novamente. Sentia-se estranhamente bem e, por isso, preferiu continuar de olhos cerrados por mais alguns tempos.
Um calor intenso novamente a perseguia e o vento voltava a zunir. Aos poucos, seus cílios se soltavam. Espreguiçou-se. E foi então que pôde ver tudo claro, mais uma vez. O dia ainda estava por amanhecer.
7 comentários:
cara, acho que esse foi o que eu mais gostei!
'a magia, porém, ainda lhe restava'
há.
fiquei com pena da pequena no começo, mas creio que ficou tudo bem com ela depois.
te amo!
Pedro!
Ótimo texto, e eu, finalmente consegui interpretar um texto seu, algo que não conseguia há tempos... Não sei bem o porque...
Achava que a garota estava perdida, que estava morrendo, devido aos seus pensamentos, ao silêncio...
enfim, adorei o final, pois mostra que sempre, não importa o que estamos vivendo no momento, conseguimos encontrar a magia em algo, ou em tudo, para nos fazer viver...
Beijos! Te amo!
adorei as imagens, as sensações, tudo que você passou com seu texto. Muito criativo, cara... me surpreendi.
Vale pra todos os outros, que eu só olhei por cima. Foda mesmo.
Achei incrível por ser só um momento, tão bem descrito... que traz vários sentimentos escondidos, misturados. Me senti acordando no fim da tarde ao lado da janela. É insano mesmo.
abraços,
Fábio.
A sequencia de fatos gera um sensação muito interessante, a progressividade dos acontecimentos de pouco a pouco vão prendendo a atenção, até o memento que a personagem simplismente acorda, quebrando todo o desenrolar do acordar com a esperança do novo dia.
Abraços,
doG saW I / Pedro Toledo
Texto bom, muito bom mesmo. O fim é bem "Pedro": Ao ler a última frase, pensei que nada poderia ser mais adequado. Prefiro o texto "Exaustão", mas esse "Silêncio de Prata" está fantástico, como sempre.
Ricardo,
parabéns pelo seu desempenho!
Que comentário impagável.
nossa!
lindo ;D
um dos meus favoritos, com certeza.
Ah, loverboy, cada dia você me surpreende mais e mais.
amo você.
Poxa, a cada texto seu, eu me
surpreendo ainda mais.
Eles me passam a 'estranha sensaçao
de bem estar' .
Te Odeio, Pedro.
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