terça-feira, dezembro 11



Infinito

Não foi ali onde a pequenina adormeceu. Aquela tempestade de emoções a levou para um outro sonho, que por sinal não conhecia. Mesmo em meio a tantos perfumes, a pequenina não era só mais uma. Eram tantos caminhos e tantas direções; o que lhe faltava era um motivo para sair de lá. Fazia de si uma folha seca em tempos de primavera: era ela quem ventava. Dava voltas e mais voltas, deixando-se levar sempre para o mesmo amontoado. A solidão afugentava o seu sorriso. Fazia de si, uma flor em tempos de outono: apesar de tudo, era ela quem coloria. Ia e voltava, presa ao solo; presa a si mesma.

O brilho de seus olhos só ampliava o labirinto de espelhos. Os tantos reflexos só embaçavam seus pensamentos. Ela corria de encontro ao abismo de sua mente, de onde já se jogara inúmeras vezes. Estava só, a espera da noite. Sob a chuva de sentimentos, refrescava-se. Cada caminho poderia levar-lhe a tantos outros começos. O seu mundo rodeava sua cabeça. Estava contra o vento mas seus cabelos nem sequer se moviam.

Já sem forças, resolveu se deitar. Com o olhar voltado para o alto, finalmente avistou um sonho. Não havia pressa, não existia tempo. Cerrou seus olhos. Em um quieto desespero, a garota procurava por si mesma. O tudo já não era mais irreconhecível. Estava perdida, a espera de que algum dos caminhos viesse buscá-la. O sol acariciava-lhe o rosto. Sentia as pétalas de cada flor caindo ao seu lado, uma por uma. Aos poucos, o emaranhado de fragrâncias ia escondendo a garota. Estava inerte. Tornou-se parte das pétalas. Já não se permitia distinguir aquelas lindas flores caídas daquela linda e única flor deitada. O tudo era um só.

As fortes batidas do coração da garota formavam o único som a se escutar. Uma noite sem estrelas e sem companhia chegava. As árvores começavam a tremular de um lado para o outro. A brisa fria estava a caminho. A montanha de flores e cores que havia se construído ali mesmo, naquele chão macio, virou vítima da ventania. Ventou. O céu estrelou.

Foto: 'AngelEyes'.

12 comentários:

Anônimo disse...

eei, é o meu Pedro! ;]
usei na hora errada de novo, né?

a m e i!
obrigada, Loverboy.
amo você.'

Anônimo disse...

eu ia comentar 'ei, não gostei da parte em que o céu não tem estrelas'

maas, no final, você resolveu o problema :)

te amo

Anônimo disse...

É um daqueles textos que a gente lê e pensa: 'Claro, foi o Miotto que escreveu'. Parabéns!

Ricardo

Anônimo disse...

tõ gostando cada vez mais

Anônimo disse...

É Pedro, você se supera.
Goosteeei mesmo :)
beeijos

Anônimo disse...

"O brilho de seus olhos só ampliava o labirinto de espelhos."

Deve ser por isso que tenho tanto medo de espelhos.

Adorei! Segunda vez que leio um texto seu e viajo no seu sonho. Realmente, cara, adorei! "Sem palavras" é algo muito monótono pra servir de comentário

abraço

Ana Bia disse...

Fascinante, Miotto. Mas muitas pessoas devem te dizer isso diariamente.
No trecho que descreve o Sol, as pétalas das flores, o chão sob a menina, é como se eu mesma estivesse deitada.
Parabéns, parabéns :)

Rodrigo disse...

Do not stop the posting!

Maria disse...

Hmmm quantas metáforas. Cuidado, metáforas são perigosas...

beijos!

Tarsila Varallo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
carolita disse...

"era ela quem ventava"? Pê, você tem idéia de quanto isso é bonito? Descrição poética do insdescritível! Não deixe de escrever, mesmo que o vento cesse por uns tempos...ele sempre volta com coisas muito belas nos bolsos.
Abraço da prima-mentora!

Anônimo disse...

Tu nunca mais escreveu... :(