
Silêncio de Prata
Por entre o labirinto daquele vácuo sonoro, dizia adentrar, lentamente. Sua mente cantava o que lhe jurava ser a trilha sonora de uma densa overdose de reflexões. Ela havia se transformado em mais uma daquelas pedras cravadas na areia, que recebiam as ondas a todo instante sem pronunciar uma única palavra e nem ameaçar se mover. Seu grito não existia mais, apesar de sua vontade. As lembranças caminhavam, pouco a pouco, à escuridão de seu pomar. Os desejos eram agora as incontáveis pétalas da sua coleção de flores mortas.
A magia, porém, ainda lhe restava. Soprou um último suspiro que guardava em seus pulmões. Suspiro aquele que ventaneou seu mundo de volta para si. A água do mar respingou em seu pomar, trazendo de volta a cor. A aquarela que se formou despertou a fragrância de cada flor e quebrou o vidro que prendia o brilho de seus olhos. Os movimentos estavam voltando, e aos poucos a garota podia voltar a sorrir novamente. Sentia-se estranhamente bem e, por isso, preferiu continuar de olhos cerrados por mais alguns tempos.
Um calor intenso novamente a perseguia e o vento voltava a zunir. Aos poucos, seus cílios se soltavam. Espreguiçou-se. E foi então que pôde ver tudo claro, mais uma vez. O dia ainda estava por amanhecer.


